Biópsia do fígado e rim: o que você queria saber mas tinha medo de perguntar

Meu médico pediu uma biópsia do fígado ou do rim, que horror!

Como será que é feita? Tem anestesia? Ouvi dizer que dói muito! Fulano(a) fez porque estava com câncer! Meu problema deve ser muito grave!

Calma pessoal, vamos tentar esclarecer e tirar dúvidas neste post que vai ser muito franco e honesto. Direto ao ponto:

O que é e como funciona a biópsia

Biópsia é a coleta de material do organismo para ser examinado por um patologista, médico especialista em exames microscópicos. Pode ser cirúrgica, mas na Clínica CEU e Eco só fazemos por agulha. Também pode ser realizada por aspiração de conteúdo celular com agulha fina – procedimento semelhante ao do exame de sangue, com a importante diferença de que não é para sair sangue.

Na biópsia, se obtém um ou mais fragmentos filiformes de um órgão ou massa ou nódulo. Todo o avanço da agulha é monitorado pelo ultrassom, de forma que o médico sabe por onde está passando e onde vai chegar, aumentando substancialmente a segurança e a eficácia da biópsia.

Isso explica porque se pedem cada vez mais biópsias, que constituem método diagnóstico bastante empregado desde meados do século XIX, quando se estabeleceu que a base das doenças estava nas células e na organização das mesmas; na detecção de germes (bactérias, vírus, fungos) microscópicos e na pesquisa de substâncias patológicas. Ou seja, algo que não deveria estar no organismo mas está.

Vantagens do procedimento

Uma das vantagens das biópsias é que permitem diagnósticos precoces, fazendo com que o diagnóstico por vezes seja realizado anos antes de uma doença se instalar. São muito solicitadas quando o médico percebe num check-up alguma alteração, por vezes sutil, nos exames laboratoriais.

Em Oncologia as biópsias são fundamentais, uma vez que o tratamento nessa área se baseia em padrões moleculares dos tumores. Isso significa que não basta saber onde a doença está, mas também seu nome, sobrenome e endereço completos, para que o remédio seja entregue para a célula certa.

A biópsia dói?

Tanto o fígado quanto o rim não possuem nervos que sentem dor em seu interior, somente ao redor. Esses nervos periféricos, na cápsula destes órgãos, não são sensíveis ao avanço da agulha.

A imagem ultrassonográfica também melhora a eficácia da anestesia que é local: as vísceras não são como a pele. A pele dói ao ser furada, mas as vísceras não. Essa dor transitória pode ser sentida se a agulha ao invés de furar, empurra o órgão ou a cápsula um pouco, porém desaparece quando a agulha entra no órgão. Logo, uma injeção caprichada do anestésico local xilocaína ou lidocaína pelo trajeto da agulha neutraliza toda a dor que o paciente poderia sentir.

O paciente não precisa dormir. Inclusive porque sua colaboração pode ser necessária no posicionamento do corpo e no controle da respiração. A injeção pode arder um pouco, mas o desconforto passa rápido graças ao efeito imediato da xilocaína sobre os nervos. A lidocaína que usamos é sem vasoconstritor, ou seja, sem adrenalina, e portanto não provoca taquicardia – a aceleração dos batimentos cardíacos.

Depois do procedimento, o paciente é encaminhado para a sala de repouso onde permanecerá por 1 a 2 horas, sendo liberado após revisão.

Tomamos todos os cuidados para que a biópsia transcorra com o mínimo desconforto, por isso somos rigorosos nos exames prévios para conferir se o paciente tem condições de ser submetido à punção, contando com coagulação e função plaquetária aceitáveis.

Solicitamos aos pacientes que leiam o termo de consentimento informado, que é bastante completo, com todas as informações pertinentes, inclusive de eventos adversos ou complicações raras, mesmo aquelas que raramente ou nunca vimos.

Ainda possui dúvidas sobre a biópsia do fígado ou rim? Entre em contato conosco que iremos esclarecê-las!

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Biópsia do fígado e rim: o que você queria saber mas tinha medo de perguntar
Dr. Rogerio Augusto Pinto da Silva - Especialista em Radiologia e Diretor da Clínica CEU

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