Mitos e verdades sobre o DIU de cobre

O dispositivo intrauterino (DIU) é, atualmente, o método anticoncepcional reversível mais usado no mundo: cerca de 170 milhões de usuárias, ultrapassando de longe a pílula anticoncepcional, que tem cerca de 110 milhões de usuárias, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas, enquanto o DIU de cobre é o método anticoncepcional preferido em países como os Estados Unidos, no Brasil é usado por apenas cerca de 5% das mulheres. Por ser um dos contraceptivos mais seguros e com menor índice de falhas, a única explicação para este receio quanto ao uso é o desconhecimento consequente dos muitos mitos em torno dele, e é por isso que vamos responder a algumas das principais dúvidas aqui. Confira:

O que é e como funciona o DIU de cobre

O DIU de cobre é um dispositivo pequeno e flexível, em forma de T, com um fio ou cilindros de cobre, que é colocado no interior do útero. A eficácia do método se deve ao fato de que ele age em mais de um momento para impedir a gravidez. No primeiro momento, o DIU de cobre libera íons que imobilizam o esperma e dificultam bastante a sua motilidade em torno do útero, dificultando assim a fecundação.

Além disso, nas raras ocasiões em que um espermatozoide consegue ultrapassar essa barreira, ele também impede a implantação do ovo fecundado na parede do útero. Uma vez que o DIU de cobre não envolve o uso de hormônios, ele possui menos efeitos colaterais no corpo, como alterações de humor, peso ou diminuição da libido.

Mitos e verdades sobre o DIU de cobre

Existem vários mitos em relação ao DIU de cobre. Grande parte dos receios está relacionada à desinformação sobre os riscos de infecção, gravidez ectópica e infertilidade; desinformação sobre candidatas elegíveis para o uso do DIU; equívocos sobre o mecanismo de ação; falta de treinamento clínico; e medo de processo. Então, respondemos a algumas das principais dúvidas que chegam até nós:

1. Mulheres que não têm filhos também podem usar o DIU?

Verdade. O DIU de cobre pode ser utilizado desde a adolescência até a menopausa. O dispositivo também não apresenta, nas mulheres que nunca estiveram grávidas, qualquer aumento na possibilidade de sofrer alguma reação adversa, em relação às que têm filhos.

O pré-requisito fundamental para inserir o DIU é ter uma cavidade uterina que comporte o acessório — então, mulheres que tenham apresentado alguma disfunção no órgão provavelmente não se adaptarão bem. Também não podem ser utilizados por mulheres que possuem o útero muito pequeno, ou que tiveram infecções uterinas recentes – mas tudo isso deve ser devidamente analisado pelo seu médico.

2. O DIU de cobre causa infecção?

Mito. No passado, esse método realmente podia aumentar o risco de doença pélvica inflamatória, mas os DIUs modernos têm uma construção diferente da dos DIU dos anos 70. Atualmente o risco de DIP (doença inflamatória pelvica) é igual ou menor para mulheres com DIU em comparação com mulheres sem DIU.

O que aumenta o risco de infecção não é o uso do DIU, e sim o não uso de camisinha. O DIU é um método que impede a gravidez, mas não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis – que são evitadas apenas com o uso da camisinha.

3. O DIU é mais eficaz que a pílula anticoncepcional?

Verdade. Segundo um estudo da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, o índice de falha do DIU de cobre varia de 0,2 a 0,8%, contra 9% da pílula anticoncepcional e 20% das camisinhas (no uso típico, ou seja, levando em consideração as falhas no uso). Isso porque, para uma maior eficácia da pílula, ela não só deve ser tomada todos os dias e jamais ser esquecida, como também deve ser tomada sempre no mesmo horário. Então, uma vantagem do DIU é que ele não está sujeito a falhas de utilização, como pode acontecer no uso da pílula, adesivos, camisinha ou injeções.

Além disso, poucas pessoas sabem mas algumas alterações comuns do organismo, bem como a ingestão de outros medicamentos, podem alterar a absorção dos hormônios anticoncepcionais e comprometer a eficácia destes métodos. Na lista de remédios que exercem influência negativa na eficácia das pílulas, estão alguns antibióticos, anticonvulsivos, antidepressivos e antirretrovirais. Algumas doenças inflamatórias também podem alterar a eficácia da pílula.

Outra vantagem do DIU de cobre frente às pílulas é a ausência de hormônios, como o estrogênio, em sua composição. Estes hormônios estão associados a um maior risco de trombose — isto é, o surgimento de um coágulo na corrente sanguínea capaz de viajar pelo corpo e causar estragos. Então, a peça de cobre é a alternativa ideal para quem não quer (ou não pode) ter nenhum hormônio artificial circulando pelo corpo.

4. O uso do DIU aumenta o risco de gravidez ectópica?

Mito. Quando uma mulher que usa o DIU engravida, as chances dessa gravidez ser ectópica é maior. Mas, como as chances de uma gravidez com o DIU são muito pequenas, as chances de uma gravidez ectópica acabam, por consequência, sendo menores que com outros métodos. Ao se retirar o DIU, as chances se normalizam.

5. DIU de cobre pode causar infertilidade?

Mito. O uso do DIU não interfere em nada na fertilidade da mulher e, ao contrário de alguns medicamentos, depois da retirada do dispositivo o útero se torna rapidamente receptivo à fecundação, permitindo que a mulher engravide. Além de não reduzir a fertilidade, o DIU de cobre não provoca danos ao útero, não dificulta a gravidez, tem reversão imediata e não traz riscos ao seu futuro filho.

6. O DIU pode ser usado na fase de amamentação?

Verdade. Ele pode ser usado sem preocupações por aquelas que estão amamentando. Inclusive, o DIU de cobre pode ser inserido logo após o parto, ainda durante a permanência da paciente hospital.

7. O DIU atrapalha a relação sexual?

Mito. O DIU tem um fio muito fino para facilitar sua retirada quando chegar o momento, mas ele não atrapalha a relação sexual nem causa prejuízos ao prazer da mulher ou do homem. Caso um dos parceiros sinta qualquer incômodo, é necessário procurar o seu médico para a troca do DIU. Também é aconselhável aguardar cerca de 24h após a inserção do DIU para ter relações sexuais.

8. É normal sentir dores após a colocação do DIU?

Verdade. Ao colocar ou retirar o DIU, a mulher pode sentir algum desconforto, parecido com uma cólica, até que ele se acomode totalmente em sua posição. Mas no geral, a colocação do DIU é um processo bastante simples e indolor. Se você sentir dores muito fortes, ou se esses sinais não cessarem depois desse tempo, é necessário verificar se a implantação do DIU foi feita de forma correta.

Existem vários tipos de métodos contraceptivos, e só o seu médico saberá te informar qual o mais eficaz para o seu caso. Dentre eles, o DIU de cobre é uma opção eficaz e segura, e grande parte do receio de colocá-lo se deve aos mitos em torno dele.

O bom desempenho do DIU está diretamente ligado aos cuidados da paciente com as consultas e ultrassom transvaginal, para prevenir e corrigir deslocamentos e verificar a adaptabilidade do corpo ao dispositivo. Seguindo as orientações médicas, o DIU de cobre é, sem dúvida, um dos métodos mais seguros, saudáveis e eficazes que existem atualmente.

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Mitos e verdades sobre o DIU de cobre
Equipe da Clínica CEU

Responsável pelo conteúdo: Dr Rogério Augusto Pinto da Silva - CRM: 13323 - MG. Currículo Lattes. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728497Y9

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