Como surgiu e o que é elastografia hepática?

A elastografia hepática é um exame utilizado para avaliar e detectar problemas no fígado e os graus de fibrose causados por doenças como hepatite e cirrose. Muitas vezes a elastografia pode substituir a biópsia, sendo um exame não invasivo, rápido e indolor.

Neste texto do Dr. Rogério Augusto Pinto da Silva, ultrassonografista e membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, você vai entender melhor como surgiu esse exame e o que é elastografia hepática. Confira:

Como funcionam os aparelhos de ultrassom

Os aparelhos de ultrassom são capazes de detectar ecos produzidos pelas ondas ultrassonoras durante sua propagação no interior do organismo. Esses ecos são mostrados no monitor como imagens bidimensionais com escala de cinza, sendo que o branco indica um eco forte e o preto ausência de ecos (o que ocorre posteriormente a ossos e gases, ou no interior de líquidos) e tons de cinza indicam estruturas sólidas ou semi-sólidas.

A profundidade é calculada pelo tempo que o eco leva para ser captado pelo aparelho – quanto mais tempo, maior a profundidade. Utilizando o Eco-Doppler, pode-se calcular a velocidade do fluxo sanguíneo no interior de vasos, produzindo belas imagens coloridas ou gráficos elaborados. Essas formas de exame se baseiam na propagação axial do feixe ultrassonoro no sentido da profundidade da imagem.

Como surgiu a elastografia?

Sabia-se que a passagem da onda do ultrassom produz deslocamento das moléculas, mas não se conseguia obter nenhuma informação útil deste efeito.

Na década de 1990, estudiosos franceses conseguiram medir a velocidade da onda de cisalhamento (em inglês: shear-wave), que é a onda formada perpendicularmente ao feixe sonoro, ou seja, 90o em relação à profundidade. Essa onda, apresenta velocidade entre 1 e 3 m/s, sendo bem menor que a velocidade do ultrassom no ser humano (1.540 m/s) e portanto bem mais difícil de medir.

O primeiro aparelho produzido comercialmente foi o Fibroscan, que utiliza uma espécie de “martelo” acústico para produzir a onda principal, a qual gera ondas de cisalhamento, que serão captadas pelo aparelho, que mede sua velocidade. Em seguida, os fabricantes de aparelhos de ultrassom diagnóstico desenvolveram diversas técnicas para medir a rigidez hepática através da determinação da velocidade de propagação da onda de cisalhamento, técnicas estas que foram chamadas de elastografia.

Ao contrário do Fibroscan, que faz somente a medida da rigidez hepática, nos exames de elastografia em aparelhos de ultrassom o médico poder ver com nitidez o fígado, avaliando seu aspecto, presença ou não de cirrose, bem como outras alterações, tais como presença de cistos, tumores, líquido abdominal, dilatação, trombose de veias etc.

Doenças que acometem o fígado

A humanidade vive uma epidemia de doenças crônicas do fígado. O pobre órgão, que trabalha diuturnamente para nos manter saudáveis e em paz com nosso corpo, processando praticamente tudo que ingerimos, sólido ou líquido, tem sofrido agressões sem fim pelo estilo de vida sedentário, alimentação rica em carboidratos e farináceos, bem como abuso de bebidas alcoólicas. Essas condições essas que o levam a acumular gordura – condição conhecida como esteatose hepática.

Sem contar com a proliferação de vírus de hepatites crônicas, tais como o vírus da hepatite B (VHB) e o vírus da hepatite C (VHC), algumas substâncias tóxicas como as aflatoxinas, ou mesmo em o ferro em pessoas com hemocromatose (doença genética).

Como resultado destas agressões, de doenças genéticas ou adquiridas, o fígado evolui lentamente, ao longo de anos, para a cirrose, passando antes por vários estágios de fibrose. Se nada for feito, o fígado irá se deteriorar gradualmente, de forma imperceptível ao paciente, mas que pode ser notado pelo médico na eventualidade de um check-up, pois estas alterações se traduzem em enzimas hepáticas elevadas no sangue.

  • Sintomas da cirrose

Quando a cirrose está completamente instalada, o paciente apresenta vários sinais e sintomas fáceis de reconhecer, como inchaço nas pernas (edema), perda de massa muscular, ascite (“água na barriga”), icterícia (pele e mucosas amarelados), e hemorragia digestiva (vômito sanguinolento ou sangue nas fezes, geralmente digerido – fezes em borra de café). O fígado fica endurecido, o que pode ser percebido pelo médico durante a palpação do abdômen.

A cirrose hepática só é passível de cura pelo transplante hepático. Muito melhor que esperar a cirrose, é investir no diagnóstico precoce, nas fases iniciais da doença hepática, onde mudanças de hábitos de vida, de alimentação e consumo de álcool, ou tratamento do vírus de hepatite, mantém o fígado saudável por vários anos.

A importância da elastografia hepática

Alguns anos atrás, os médicos precisavam de uma biópsia hepática para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução de doenças hepáticas através da determinação do grau de fibrose ou de cirrose hepática. Biópsias ainda são importantes, especialmente no diagnóstico em casos de etiologia incerta, mas para se acompanhar ou determinar o grau de fibrose foram introduzidos métodos não-invasivos, tanto laboratoriais quanto a elastografia.

Por não ser invasiva, a elastografia hepática pode ser realizada inúmeras vezes, tornando-se muito útil no acompanhamento do paciente. É um exame rápido, sem desconforto, além do jejum de pelo menos 6 horas. O resultado é imediato – o paciente aguarda apenas alguns minutos e já leva o laudo consigo. Uma alternativa útil em alguns casos, especialmente em paciente extremamente obesos, é a elastografia por ressonância magnética.

Imagem de Elastografia Bidimensional do aparelho Canon i600: à esquerda mapa de rigidez e à direita mapa de velocidade da onda de cisalhamento
Elastografia Bidimensional do aparelho Canon i600: à esquerda mapa de rigidez e à direita mapa de velocidade da onda de cisalhamento
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Resultado de diversas medidas elastográficas pelo método ARFI (aparelho Samsung)

Se perceber sintomas como desconforto abdominal, cansaço excessivo, dor de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia e cor amarelada nos olhos ou na pele, procure um especialista, pois podem significar alguma alteração no seu fígado.

Agora que você já viu como surgiu e entendeu melhor o que é elastografia,veja aqui como funciona o exame.

As Clínicas CEU e ECO Diagngósticos disponibilizam a elastografia hepática ultrassônica desde 2015 contando com aparelhos de última geração, operados por médicos capacitados. Vários convênios com planos de saúde foram celebrados desde que o procedimento passou a constar do rol da ANS e ter cobertura obrigatória  pelos planos de saúde. A Clínica CEU também realiza biópsias hepáticas.

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Como surgiu e o que é elastografia hepática?
Equipe da Clínica CEU

Responsável pelo conteúdo: Dr Rogério Augusto Pinto da Silva - CRM: 13323 - MG. Currículo Lattes. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728497Y9

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