Biópsias: “Eu estou com medo, doutor”

Há pouco tempo atendemos uma paciente que veio realizar biópsia hepática devido a infecção pelo vírus da hepatite C (VHC). Estava ictérica, com a barriga distendida, com medo, certa que iria sofrer horrivelmente nas mãos dos impiedosos médicos, que não dão a mínima para os sentimentos dos pacientes.

Ela nos contou que há alguns anos atrás, ao ser dado o diagnóstico da infecção, fugiu dos médicos quando lhe foi solicitada a biópsia “afinal, não estava sentindo nada!”. Agora, ao piorar, teve que retornar e, naturalmente, a biópsia foi novamente pedida. Desta vez não teve ela não teve como escapar do exame.

No exame inicial, nossas piores expectativas se confirmaram – sem tratamento, a infecção progrediu e a paciente não só apresentava cirrose hepática como ainda um tumor no fígado em estágio avançado.

Fizemos a biópsia com técnica adequada, retirando fragmentos não só do fígado como do tumor. Ao final, avisamos:

– Está pronto!
– Não é possível! ela exclamou. Não doeu nada!
– Mas não é para doer mesmo. Desde que bem aplicada, a anestesia local retira toda a dor. Viu do que você fugiu há 6 anos?

Dissemos isso, na verdade frustrados, pois o ideal era que a biópsia fosse realizada naquela época para instituir o tratamento específico a tempo de prevenir estas complicações

As biópsias consistem em retirar uma pequena amostra de um órgão doente para examinar microscopicamente. Apenas poucas gramas de um tecido alterado, ou mesmo alguns grumos celulares, são suficientes para que um médico patologista treinado dê diagnóstico preciso da doença ou condição, possibilitando que, a partir daí, o tratamento específico possa ser instituído. O procedimento é útil em inúmeras condições, sendo cada vez mais requisitado.

Na Clínica CEU, realizamos rotineiramente grande números de biópsias, em especial do fígado, rins, mama, útero, ovários, tireoide, linfonodos, massas e nódulos. Para tanto são utilizadas agulhas finas especiais.

Em algumas biópsias, chamadas de aspirativas, a agulha é conectada numa seringa e é realizada uma discreta aspiração do conteúdo de um nódulo como, por exemplo, na mama ou tireoide. Este material aspirado é aspergido sobre laminas de vidro, que serão posteriormente coloridas e examinadas pelo médico patologista em outro serviço.

Outra forma de realizar biópsia é pela retirada de um pequeno fragmento (apenas 1,5 cm e comprimento por 1 mm de diâmetro) dentro de uma agulha especial, chamada Tru-Cut. Esta agulha é colocada em um dispositivo automático, que faz um disparo controlado.

O aparelho de ultrassonografia permite que a posição da agulha seja monitorada constantemente, sendo dirigida com segurança até o objetivo. Após biópsias do fígado, rins e amniocente o/a paciente deverá permanecer em repouso por algum tempo na clínica.

Em todas biópsias realiza-se inicialmente a injeção de xilocaína, anestésico local descoberto pelo químico sueco Nils Löfgren, em 1943, e amplamente usado em todo o mundo desde então.

E qual é o efeito da xilocaína? Ela desliga imediatamente os nervos que conduzem a sensação de dor até o cérebro, mas não os que conduzem a sensação de tato. O organismo a elimina até 2 horas após a injeção. Isto é, após ser injetada no trajeto que a agulha de biópsia vai fazer a pessoa perca a sensibilidade para dor, fazendo com que muitos pacientes se surpreendam quando o procedimento termina – para eles, ainda estamos começando!

Assim, se você, algum familiar ou amigo tiver que fazer uma biópsia, não se preocupe – a medicina moderna tem recursos para fazê-la com segurança, precisão e sem dor!

Biópsias: “Eu estou com medo, doutor”
Dr. Rogerio Augusto Pinto da Silva - Especialista em Radiologia e Diretor da Clínica CEU

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