Afinal, o uso do DIU pode alterar a menstruação?

O uso do DIU (dispositivo intrauterino) é um dos métodos contraceptivos mais seguros, apresentando uma taxa de gestação menor que 1% quando utilizado de forma correta. No entanto, mesmo com essa alta taxa de sucesso, dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), revelou que o DIU era usado por somente 1,5% das mulheres no Brasil em 2006. 

Mais de 15 anos após a pesquisa, o número de mulheres utilizando o método ainda é muito baixo, representando somente 2% da população feminina brasileira, enquanto essa taxa chega a 25% em países da Europa. 

Isso é resultado da falta de conhecimento em relação ao DIU, assim como outras dúvidas que podem causar medo e desconforto na mulher. Por esse motivo, desenvolvemos o artigo de hoje para que você conheça os diferentes tipos de dispositivo e saiba se ele pode alterar a menstruação. Confira!

Quais os tipos de DIU?

É possível encontrar atualmente 3 principais tipos de DIU: o DIU Mirena, DIU de cobre e DIU Kyleena. A seguir, você poderá conhecer um pouco mais sobre cada modelo do dispositivo. Acompanhe.

DIU Mirena

O DIU Mirena é conhecido como DIU hormonal ou SIU (sistema intrauterino). Esse dispositivo é revestido por um hormônio sintético da progesterona, chamado levonorgestrel. O DIU Mirena é muito utilizado por mulheres que sofrem com problemas como a endometriose, e o dispositivo apresenta eficácia de 5 anos.

DIU de cobre

Já o DIU de cobre não apresenta hormônios em sua composição. Por não utilizar substância hormonal, o uso do DIU de cobre não suspende a menstruação. No entanto, em alguns casos, o fluxo pode aumentar nos primeiros 6 meses de adaptação, acompanhado de cólicas. A validade do uso do DIU de cobre é de 10 anos, de acordo com o modelo escolhido.

<<<Leia também: DIU Mirena x DIU de cobre: o que são e quais são as suas diferenças?

DIU Kyleena

O DIU Kyleena é semelhante ao Mirena, visto que é um dispositivo que age na liberação do levonorgestrel no organismo. Contudo, esse modelo é menor que o Mirena, fator que permite o uso por mulheres com úteros menores, como adolescentes. Por esse motivo, o Kyleena libera menores quantidades de hormônio. Ainda assim, oferece proteção contra gestação por até 5 anos.

Como funciona esse método?

Os DIUs hormonais, como o Mirena e Kyleena, contam com o levonorgestrel como responsável por diminuir a camada do endométrio (tecido que reveste o útero). Além disso, o hormônio altera o muco cervical, secreção produzida pelo colo do útero e expelida pela vagina. Com essas alterações, o DIU impede que o útero se torne um ambiente propício para a fecundação, evitando assim a gestação.

O DIU de cobre, funciona liberando pequenas quantidades de cobre no útero, ação que provoca uma reação inflamatória no útero, altera o muco cervical e torna o ambiente desfavorável para a fecundação. Além disso, interfere também no tempo de sobrevivência dos espermatozoides. 

O DIU pode alterar a menstruação?

O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, principalmente nos primeiros 6 meses de uso. Nesse período de adaptação, também podem estar presentes cólicas e desconforto abdominal.

No entanto, é natural, considerando que o DIU é um corpo estranho inserido no organismo da mulher. Por isso, não deve causar preocupações. Após a adaptação, o fluxo menstrual tende a se normalizar. Já o DIU hormonal é responsável por reduzir o fluxo menstrual, chegando até mesmo a suspendê-lo durante o uso do dispositivo. Entretanto, episódios de escapes podem ocorrer.

Existe contra-indicação para colocar DIU?

Ainda que seja em poucos casos, existe contra-indicação para o uso de DIU. O dispositivo de cobre, em especial, é contra-indicado para mulheres com alergia ao elemento. Já o DIU Mirena, não deve ser utilizado por mulheres que tiveram doenças hepáticas ou câncer de mama nos últimos 5 anos, devido ao uso de hormônio. Além disso, outros casos em que o DIU é contra-indicado, são:

  • presença de anormalidades anatômicas no útero;
  • infecções ginecológicas;
  • gravidez ou suspeita (devido ao risco de aborto);
  • câncer do colo do útero;
  • sangramento vaginal sem origem esclarecida.

Em quanto tempo após a retirada do DIU posso engravidar?

Após a retirada do DIU, a fertilidade da mulher é retomada de imediato. Por esse motivo, não é necessário esperar para iniciar a tentativa de gestação. É importante enfatizar que, após a recém-retirada do dispositivo, o casal apresenta 50% de chances de engravidar, aumentando essa taxa para 85% em 6 meses. 

Dessa forma, se o casal não apresentar impedimentos para o desenvolvimento de uma gestação, ela poderá ocorrer em um curto período após a suspensão deste método contraceptivo.

Agora que você conhece os principais tipos de DIU, como eles funcionam para impedir a gravidez e quais alterações podem ser causadas na menstruação, converse com seu ginecologista e considere este método contraceptivo. Afinal, é um dos mais seguros!

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