Doenças crônicas não transmissíveis: o que são

As doenças crônicas vitimam 38 milhões de pessoas ao redor do planeta e são a maior causa de morte em todo o mundo. Apesar de soar alarmista, esses dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam uma realidade preocupante.

A maioria das doenças crônicas é quase ou completamente assintomática e apresentam quadros críticos pontuais – que é geralmente quando o paciente resolve começar ou recomeçar seu tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, 57,4 milhões dos brasileiros possui ao menos uma das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Dentre as mais prevalentes neste cenário estão a hipertensão, os problemas de coluna, o diabetes, a artrite, o reumatismo, a depressão e a asma. 

Você sabe o que é uma doença crônica não transmissível, como identificá-las e tratá-las? Confira essas informações no texto a seguir:

O que é considerada uma doença crônica?

Uma doença crônica é caracterizada pelos seguintes elementos:

  • Condição não tratada em três meses;
  • Não fatal no curto prazo (não emergencial);
  • Quando apresenta quadros pontuais graves.

Apesar de não emergencial é muito importante cuidar desse tipo de condição. Isso porque, na melhor das hipóteses, ela afeta a qualidade de vida e pode restringir a vida da pessoa em diversos aspectos.

Tipos de doenças crônicas não transmissíveis

As DCNTs podem ser agrupadas em duas categorias:

  • Congênitas: condições com as quais o indivíduo nasce ou que surgem nos primeiros meses após o nascimento. Exemplos são as cardiopatias congênitas, fenilcetonúria e espinha bífida;
  • Não congênitas ou infecciosas: estas, por outro lado, são comumente originárias de organismos invasores. Nesse caso, é como se hospedeiro (corpo) e invasor (infecção) chegassem a um equilíbrio temporário. Seu tratamento é lento e às vezes inexistente. 

Fatores de risco

As doenças crônicas não transmissíveis geralmente são o resultado de diversos fatores como os genéticos, ambientais, fisiológicos e até mesmo comportamentais, ou seja, de acordo com o estilo de vida da pessoa. Nesse último sentido, podemos pontuar como super fatores de risco o uso de drogas e dependentes químicos, como o cigarro e álcool.

Além disso, a falta de atividades físicas e dietas pobres em nutrientes corroboram para um sistema imunológico mais fraco e consequentemente mais propenso a infecções. 

De acordo com a OMS, a poluição do ar também é contribui para o aparecimento das doenças crônicas não transmissíveis. Por outro lado, sexo, idade, genética e até mesmo escolaridade representam fatores de risco. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo:

“Nas próximas duas décadas na América Latina e Caribe estima-se que haverá quase o triplo da incidência de doença isquêmica do coração e de acidente cerebrovascular. As populações mais vulneráveis têm maior probabilidade de desenvolver doenças crônicas e as famílias de baixa renda de serem afetadas por elas”.

Doenças crônicas não transmissíveis

Dentre as principais doenças crônicas não transmissíveis que afetam o brasileiro, podemos citar:

Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus é uma condição crônica e hormonal que se dá devido a elevação dá glicose no sangue – hiperglicemia. Alguns sintomas da doença são a sede e fome demasiadas, visão embaçada, formigamento excessivo nos pés, infecções e cicatrização precária de feridas.

O exame básico para detecção é a chamado glicemia de jejum. O resultado esperado, fica em valores entre 70 e 110 mg a cada 100 ml de sangue.

O tratamento para diabetes inclui o uso do aparelho glicosímetro, que deve ser usado diariamente pelo diabético. É necessário também controle alimentar, realização do exame da hemoglobina glicada, ou A1C, além dos controles de colesterol e triglicérides. Além disso, é possível que seja recomendado pelo médico o ecocardiograma.

Doenças Cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos. Elas se dividem nas categorias: coronariana; cerebrovascular, arterial periférica, reumática, congênita, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

Além disso, elas tendem a afetar principalmente pessoas acima dos 50 anos, sobretudo homens, e costumam ser silenciosas, não apresentando sintomas evidentes.

Os principais exames para se detectar cardiopatias são:

Os tratamentos, por sua vez, podem ser feitos por meio de agentes betabloqueadores (que controlam a frequência cardíaca); diuréticos (que aumentam a produção de urina, de forma a limpar o organismo); digitálicos (que aumentam a força do coração) e/ ou inibidores da ECA (que diminuem o esforço do coração).

Câncer 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Os cânceres com mais incidência no Brasil são:

  • Câncer de traqueia, brônquio e pulmão;
  • Câncer de cólon e reto;
  • Câncer de mama;
  • Câncer de estômago;
  • Câncer de próstata;
  • Câncer de fígado;
  • Câncer de pâncreas;
  • Câncer que acomete o Sistema Nervoso Central; 
  • Câncer do esôfago.

Os sintomas se manifestam de diversas formas, desde caroços a mudanças de hábitos fisiológicos e perda de peso sem motivo aparente. Portanto, é muito comum que se detecte a doença em estágio avançado, geralmente por meio de biópsias. Os tratamentos são relativos, mas o mais comuns são as quimioterapias.

Doenças Respiratórias 

Doenças crônicas respiratórias são condições que afetam os órgãos e o trato respiratório, sendo as mais comuns a asma, a bronquite, a rinite, a sinusite, a laringite e a faringite. Seus sintomas são muito parecidos e em todos os casos, costumeiramente, o paciente apresenta rouquidão da voz, tosse dor de garganta e dificuldade para engolir ou respirar.

Para identificar as doenças, são recomendados os exames de espirometria (teste do sopro), radiografia torácicas, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia.

O tratamento, por sua vez, depende do tipo de condição, mas os mais frequentes são a medicação, ventilação líquida ou mecânica, fisioterapia, oxigênio, radioterapia e até mesmo cirurgia em alguns casos.

Obesidade

A obesidade, caracterizada pelo aumento excessivo de gordura corporal, geralmente é causada por maus hábitos e sedentarismo, mas seu diagnóstico pode ir muito além desses fatores.

É por meio da análise do Índice de Massa Corpórea (IMC) é que se entende se, de fato, o indivíduo, é obeso e qual o seu grau de obesidade. O tratamento depende de diversos fatores, mas mudanças na alimentação, a prática de atividades físicas, o acompanhamento com endocrinologista e nutricionista são fazem parte das recomendações.

Além disso, em algumas situações, o especialista pode recomendar procedimentos como cirurgia bariátrica.

Osteoporose

Muito comum em mulheres acima de 45 anos, a osteoporose é uma condição que deixa os ossos porosos e frágeis. Os sintomas apenas aparecem em condições avançadas – dores localizadas nos joelhos, quadris e braços. 

A doença causa deformidade e redução de estatura e perda de massa óssea (muitas vezes pelo uso de determinados medicamentos, problemas endócrinos ou renais).

A densitometria óssea e avaliação de histórico familiar são os principais meios de identificação da doença. Infelizmente não existe cura para a osteoporose, mas as orientações preventivas e o tratamento devem ser seguidos de forma a evitar mais perda óssea.

Hipertensão

De acordo com o Ministério da Saúde, a hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9).

Seus sintomas consistem em dores de cabeça, no peito, tonturas, fraqueza e até sangramento nasal. É uma condição de fácil identificação, bastando a aferição regular. Por outro lado, a hipertensão não tem cura e é preciso mudança nos hábitos para se conviver bem com ela.

As doenças crônicas acometem grande parte da população, mas é possível evitar muitas delas por meio de acompanhamento regular com especialistas clínicos. Da mesma forma, é essencial realizar um check-up anualmente, principalmente após os 50 anos.

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Responsável pelo conteúdo: Dr Rogério Augusto Pinto da Silva - CRM: 13323 - MG. Currículo Lattes. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728497Y9

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